Tenho ouvido no rádio e na televisão, mais do que gostaria, pessoas falando que ‘realizaram um acontecimento’, numa substituição flagrante do verbo em inglês ‘realize’ pelo verbo em português ‘perceber‘.
O que significa esta impropriação indébita, e de onde veio, não sei dizer.
Como esta forma se instalou no idioma?
Também escuto ‘desde‘ usado como em espanhol: ‘o avião veio desde a Argentina’, o que significaria ‘o avião veio da Argentina’.
Pesquisando em nossos dicionários escontraremos uma das acepções para o uso da preposição desde como “a começar de, a partir de” (Aurélio).
Então poderíamos considerar que o avião teve como ponto de origem a Argentina.
Mas este não é o uso comum que fazemos da palavra, pois me parece que fica faltando o complemento ‘até’: ‘ o avião veio desde a Argentina até aqui sem escalas’.
As palavras assim ditas ficam deslocadas, caem mal nos ouvidos, pelo menos para mim.
No último Manhatan Conection, quando a editora do programa disse “eu realizei naquele momento…“, o jornalista Lucas Mendes prontamente interferiu: “realizou, não, percebeu“.
Então não sou só eu que acho a apropriação indébita!

03/07/2009 às 15:43
Cidinha: No capítulo das apropriações indébitas, o mundo corporativo é uma fonte inesgotável, quase que criando um idioma à parte. Um idioma em que ‘deletar’ , ‘fupar’, ‘customizar’ e ‘eneiblar’ substituem a simplicidade em dizer ‘apagar’, ‘fazer lembrar’, personalizar e capacitar. A tradução ao pé da letra de expressões em inglês e a sua inclusão no discurso, além de pretensiosas, são de um profundo mau gosto, mas pontuam o ‘corporativês’– se podemos chamar assim a língua que se fala na corporações. Imagino que Shakespeare e Camões devem se revirar nos seus respectivos túmulos cada vez que ‘realizam’ esses atentados contra o bom inglês e o bom português.
04/08/2009 às 18:20
Eu sei onde nasceu! das pessoas que aprenderam inglês! como aprendi o idioma depois de adulta me surpreendi utilizando o “I realize” que é “eu percebi ou eu constatei” do jeito errado “Eu realizei”… hahahaha Foi horrível, confesso, mas acontece no processo de aprendizagem, na fase em que “trocamos e misturamos” os dois idiomas. Ainda bem que passa!