Já repararam?

pegapegaJá repararam na mania que a gente tem de usar o verbo pegar de forma completamente descabida?

- Aí eu peguei e disse pra ela…

O que é isso, gente?

Meus alunos estrangeiros vivem me perguntando o que é que nós pegamos tanto.

Acho que vem daquela necessidade que temos de nos organizar antes de falar.

É o mesmo caso de ‘assim’, ‘inclusive’, ‘enfim’. Estão todos na mesma categoria.

Pode prestar atenção: quase todo mundo quando fala informalmente se utiliza do verbo pegar desta forma.

Se alguém souber me explicar a causa, deixe uma mensagem no blog.

No interior

caipiraNo final de semana fui para o interior visitar a família.

Observei que pessoas que falam corretamente, o que significa  utilizar a forma culta, quando se deparam com seus conterrâneos, disparam a falar como as pessoas do lugar: ‘nóis vai’, ‘nóis se entende’, ‘nóis qué’

Seria uma maneira de se integrar ao grupo de falantes locais? Pode ser.

É uma constatação sociológica: eu sou da capital, mas agora voltei às minhas verdadeiras raízes _ sou como você.

E voltam também os erres puxados, a falta de esses no final das palavras, os erros gramaticais  mais comuns, tudo acompanhado de um sorriso de safadeza, como quem está fazendo arte.

Mas a palavra mais utilizada é ‘decerto’:

- Decerto ele não veio porque choveu.

Equivaleria ao nosso ‘vai ver que…”

Dificilmente escuto por aqui alguém falando ‘decerto’.

De onde viria a expressão?

Decerto de um português mais antigo que permaneceu lá, cristalizado no tempo.

Tá na moda

vamos combinar

Vamos combinar?

_ Vamos combinar que não tinha nada a ver.

Está na moda falar ‘vamos combinar que…’

De onde veio isso?

Ontem, no programa Happyhour, a Astrid Fontenele emitiu a frase pelo menos umas cinco vezes.

E o que quer dizer exatamente esta frase?

Quer dizer: ‘concorda comigo?’ ‘você não acha a mesma coisa?’

É uma forma bastante peculiar e diferenciada de se pronunciar, tornando o discurso, digamos, ‘maneiro’.

Quanto tempo vai durar esta fase? Não sabemos.

Quem decide é sempre o falante, que vai construindo a linguagem e inserindo nela formas divertidas e especiais de se expressar.

No museu

Visite: Praça da Luz, s/nº - Tel:  (11) 3326-0775

Visite: Praça da Luz, s/nº - Tel: (11) 3326-0775

Sábado passado estive no Museu da Língua Portuguesa. Fiz um curso de quatro horas, dirigido a professores, que explicava como devíamos orientar nossos alunos quando lá estivéssemos.

O museu é simplesmente maravilhoso!

Não possui um acervo concreto e palpável, mas nada é tão sensível quanto seus sons, palavras, versos, textos, elevação.

Vale a pena visitá-lo para usufruir de todos os recursos de conhecimento que a nossa língua oferece.

O aspecto mais interessante que notei, porém, foi a total falta de preconceito quanto aos diversos falares do nosso Brasil. O museu não se pretende um impositor de regras e diretrizes do falar correto, e os respeita a todos.

Temos muito a aprender com eles.

Ouvindo por aí…

ouvidoUltimamente, o que mais tem machucado meus ouvidos são as muletas “assim” e “enfim”.

Parece que quando a pessoa não sabe se explicar aplica logo um “assim” e tudo fica resolvido:

- O que eu queria dizer é que assim… Quando tudo aconteceu, eu não estava preparada.

O “enfim” vem para fechar com chave de ouro uma série de elementos:

- Estava fazendo um curso, estudando muito, enfim, essas coisas…

Prestem atenção e comecem a contar quantos assim e enfim são proferidos hoje em dia, sem dó nem piedade.

Já virou cacoete.

Aliás, falando nisso, tem também as pessoas que falam com aspas, já viram?

Vão contar alguma coisa, não acham a forma ou palavra adequada para fazê-lo, então aplicam com os dedos as aspas na palavra falada!

- Ele se sentia um excluído (aí vem o sinal), assim… Enfim, entendeu?

Quem sabe só cantando, como os gagos, consigamos nos expressar melhor.